Legado Histórico e Justiça Processual na gestão de florestas urbanas

Entender como o histórico de desenvolvimento da urbanização influencia no estabelecimento das nossas cidades é preponderante Uma pesquisa pioneira realizada em 38 das maiores cidades dos Estados Unidos revelou uma verdade poderosa e desafiadora sobre a relação entre o verde urbano, o calor e a vulnerabilidade social.

É crucial entender que a escassez de árvores e a alta vulnerabilidade nesses bairros não são culpa dos moradores, mas sim o resultado de processos históricos de segregação racial, exclusão do mercado imobiliário e desinvestimento. O padrão de distribuição atual é um “legado” de estruturas legais, culturais e econômicas das cidades.

Portanto, o sucesso das iniciativas de arborização não depende apenas da correção da injustiça distributiva (plantar mais árvores onde elas são necessárias). Deve-se também garantir a justiça processual. Isso significa envolver as comunidades diretamente no planejamento, tomada de decisões e implementação dos projetos. Sem isso, o plantio de árvores pode ter impacto limitado ou, ironicamente, até gerar receios como gentrificação ou custos de manutenção2153.

Pontos-Chave para a Justiça Climática

Vulnerabilidade e Calor: Populações com menor renda, menor educação e maior proporção de pessoas negras vivem em bairros mais quentes e com menos árvores em 38 grandes cidades dos EUA.

Eficiência Máxima: A eficiência de resfriamento (ER) das árvores urbanas é maior (ou seja, proporciona mais resfriamento por unidade de dossel) justamente nos bairros mais quentes e socialmente vulneráveis.

Ganhos Socioecológicos: Concentrar o plantio de árvores em bairros vulneráveis é a estratégia que oferece os melhores resultados, maximizando tanto o benefício social quanto o ecológico.

Injustiça em Sacramento: Bairros mais quentes na cidade de Sacramento (acima da LST média) apresentaram uma renda familiar mediana significativamente menor ($42.387 vs. $48.393) e um percentual maior de pessoas negras (58.7% vs. 47.2%).

O Desafio de Justiça: Para mitigar o calor de forma eficaz e ética, é preciso corrigir a desigualdade na distribuição de árvores e garantir que as comunidades vulneráveis participem ativamente na gestão desses recursos (justiça distributiva e processual).

Conclusão

O calor urbano é uma crise de saúde pública e um sintoma de profundas desigualdades estruturais. Este estudo oferece evidências robustas de que o dossel arbóreo é uma ferramenta poderosa e inerentemente eficiente para mitigar o calor exatamente onde ele causa o maior dano social. No entanto, a ciência por si só não resolve a injustiça. O reconhecimento de que as desvantagens são “incorporadas” na estrutura das cidades exige que as soluções baseadas na natureza sejam planejadas não apenas com base em métricas biofísicas, mas como um compromisso ativo com a equidade.

Priorizar o plantio de árvores em bairros vulneráveis é o caminho mais inteligente e justo para construir cidades mais resilientes e frescas. Mas a verdadeira transformação só ocorre quando as vozes das comunidades afetadas são ouvidas e integradas ao processo, transformando uma simples iniciativa de plantio em um ato de justiça climática2653.

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